Juros compostos: como funcionam e por que o tempo é o seu melhor aliado
Entenda os juros compostos com exemplos simples, a fórmula e quanto o seu dinheiro pode crescer com aportes mensais. Inclui calculadora gratuita.
- Nos juros compostos, os juros de cada mês passam a render juros também.
- O efeito é pequeno no começo e enorme com o passar dos anos.
- Começar cedo e investir todo mês pesa mais do que a taxa escolhida.
Albert Einstein provavelmente nunca chamou os juros compostos de “oitava maravilha do mundo”, apesar de a frase circular com o nome dele. Mas a ideia por trás da frase está certa: poucas coisas fazem tanta diferença na vida financeira quanto entender como os juros sobre juros funcionam.
Juros simples x juros compostos
Nos juros simples, o rendimento é calculado sempre sobre o valor inicial. R$ 1.000 a 1% ao mês rendem R$ 10 por mês, todo mês.
Nos juros compostos, o rendimento de cada mês é somado ao saldo, e o mês seguinte rende sobre esse saldo maior. No primeiro mês você ganha R$ 10; no segundo, R$ 10,10; no terceiro, R$ 10,20, e assim por diante. A diferença parece pequena, mas cresce sem parar.
| Tempo | Juros simples (1% a.m.) | Juros compostos (1% a.m.) |
|---|---|---|
| 1 ano | R$ 1.120,00 | R$ 1.126,83 |
| 5 anos | R$ 1.600,00 | R$ 1.816,70 |
| 10 anos | R$ 2.200,00 | R$ 3.300,39 |
| 20 anos | R$ 3.400,00 | R$ 10.892,55 |
Em 20 anos, o mesmo dinheiro e a mesma taxa geram mais que o triplo nos juros compostos. Praticamente todos os investimentos, do Tesouro Direto ao CDB, funcionam assim.
A fórmula
Para um valor aplicado uma única vez:
Montante = Capital × (1 + taxa)tempo
A taxa e o tempo precisam estar na mesma unidade: taxa ao mês com tempo em meses, ou taxa ao ano com tempo em anos. Exemplo: R$ 5.000 a 10% ao ano durante 8 anos dá 5.000 × 1,108 ≈ R$ 10.717.
Quando há aportes todos os meses, a conta fica trabalhosa à mão. É para isso que existe a nossa calculadora.
O poder dos aportes mensais
Veja o que acontece com quem investe R$ 300 por mês a uma taxa de 10% ao ano, sem valor inicial:
| Prazo | Total investido | Saldo final (aprox.) |
|---|---|---|
| 5 anos | R$ 18.000 | R$ 23.000 |
| 10 anos | R$ 36.000 | R$ 60.000 |
| 20 anos | R$ 72.000 | R$ 215.000 |
| 30 anos | R$ 108.000 | R$ 619.000 |
Em 30 anos, mais de 80% do saldo vem dos juros, e não do dinheiro que saiu do seu bolso. A simulação não desconta imposto, taxas e inflação; serve para mostrar a força do tempo, não para prometer rendimento.
Três lições práticas
- Comece cedo, mesmo com pouco. Dez anos a mais de prazo costumam valer mais do que dobrar o valor do aporte.
- Não interrompa. Resgatar no meio do caminho “zera” a parte mais valiosa da curva, que é a do fim.
- Fuja dos juros compostos contra você. A mesma lógica faz uma dívida no rotativo do cartão ou no cheque especial crescer de forma assustadora. Quitar essas dívidas é o “investimento” com maior retorno que existe.
E a inflação?
Para saber se você está ficando mais rico de verdade, compare o rendimento com a inflação do período. Um investimento que rende 10% ao ano com inflação de 4% tem ganho real de cerca de 5,8% ao ano. Entenda melhor no guia sobre o IPCA e a inflação oficial.
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