Tesouro Direto para iniciantes: os tipos de título e qual escolher para cada objetivo
Guia do Tesouro Direto para quem nunca investiu: como funciona, quanto custa, os tipos de título (Selic, Prefixado e IPCA+) e qual combina com cada objetivo.
- No Tesouro Direto você empresta dinheiro ao governo federal e recebe juros por isso.
- Dá para começar com pouco dinheiro, pelo app de qualquer banco ou corretora.
- Tesouro Selic é para a reserva de emergência. Prefixado e IPCA+ são para objetivos com data.
O Tesouro Direto é a porta de entrada da maioria das pessoas no mundo dos investimentos, e com razão: é simples, aceita valores pequenos e tem a segurança do governo federal. Mas o nome dos títulos confunde quem está começando. Este guia explica tudo do zero.
Como funciona o Tesouro Direto
O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional, em parceria com a B3 (a bolsa de valores brasileira), que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos pela internet. Ao comprar um título, você está emprestando dinheiro ao governo, que devolve o valor com juros em uma data combinada (o vencimento).
Para investir, você precisa de conta em um banco ou corretora habilitado. A compra é feita pelo app ou site da própria instituição ou pelo site e app do Tesouro Direto.
Quanto custa e qual o valor mínimo
- Valor mínimo: dá para comprar a partir de 1% do valor de um título, desde que esse valor seja de pelo menos R$ 30. Na prática, começa com poucas dezenas de reais.
- Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor investido. No Tesouro Selic, é isenta para os primeiros R$ 10 mil.
- Taxa da corretora: a maioria dos bancos e corretoras não cobra nada pelo Tesouro Direto.
- Imposto de renda: segue a tabela regressiva da renda fixa, cobrada só sobre o rendimento.
Os tipos de título
Tesouro Selic
Rende a taxa Selic do período. É o título mais estável: o valor praticamente não oscila para baixo, então você pode vender a qualquer momento sem perder dinheiro na maioria das situações. É a melhor opção do Tesouro para a reserva de emergência.
Tesouro Prefixado
Você sabe, no dia da compra, exatamente quanto vai receber no vencimento. Exemplo: um título que paga 12% ao ano até 2029. É uma boa escolha quando você acredita que os juros vão cair, mas exige disciplina: se vender antes do vencimento, recebe o preço de mercado do dia, que pode ser menor que o valor pago.
Tesouro IPCA+
Paga a inflação (IPCA) mais uma taxa fixa. Exemplo: IPCA + 6% ao ano. Garante ganho acima da inflação se levado até o vencimento, por isso é muito usado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria. Existe a versão com juros semestrais, que paga parte do rendimento a cada seis meses.
Tesouro RendA+ e Tesouro Educa+
São títulos atrelados ao IPCA criados para objetivos específicos. O RendA+ funciona como uma aposentadoria complementar: depois de uma data escolhida, paga uma renda mensal por 20 anos. O Educa+ paga uma renda mensal por cinco anos, pensada para custear a faculdade.
Qual título escolher para cada objetivo
| Objetivo | Título indicado | Por quê |
|---|---|---|
| Reserva de emergência | Tesouro Selic | Quase não oscila e pode ser resgatado a qualquer dia útil |
| Objetivo com data em 2 a 5 anos | Prefixado ou IPCA+ com vencimento próximo da data | Rendimento definido se levado até o fim |
| Aposentadoria | IPCA+ longo ou RendA+ | Protege da inflação por décadas |
| Faculdade dos filhos | Educa+ | Renda mensal no período do estudo |
O que é marcação a mercado
Os títulos Prefixado e IPCA+ mudam de preço todos os dias, conforme os juros do mercado. Se os juros sobem, o preço do título que você já tem cai; se os juros caem, o preço sobe. Isso se chama marcação a mercado.
Ela só importa se você vender antes do vencimento. Quem leva o título até o fim recebe exatamente a rentabilidade contratada. Por isso a regra de ouro é: escolha um vencimento compatível com o seu objetivo.
Imposto de renda no Tesouro Direto
O imposto é retido automaticamente no resgate ou no vencimento, sobre o lucro, de acordo com o tempo de aplicação:
| Tempo investido | Alíquota |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Resgates com menos de 30 dias também pagam IOF, que diminui a cada dia até zerar no 30º dia. As regras de tributação podem mudar por lei; confira sempre a versão em vigor no site do Tesouro Direto.
O Tesouro Direto é seguro?
É considerado o investimento de menor risco do país, porque quem paga é o governo federal. O risco que existe é o de oscilação de preço, para quem vende antes do vencimento títulos prefixados ou atrelados ao IPCA.
Veja também a comparação com os títulos emitidos por bancos no guia CDB, LCI e LCA: qual a diferença.
Equipe de jornalismo do Investimentos Hoje. Explicamos economia, investimentos e criptomoedas em linguagem simples, com dados de fontes oficiais como Banco Central, IBGE e Tesouro Nacional. Nosso conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento.